Livro – Celular (Cell – 2007) Stephen King
Já faz muitos anos desde que li meu primeiro livro de horror, o qual me recordo muito bem detalhadamente cada capítulo, cada página e cada frase que me renderam algumas noites sem dormir, e mudou todo meu conceito de “horror”. O livro em questão, é “A Coisa (1986)” de Stephen King. Foi o suficiente para que virasse um fã absoluto do autor, acompanhado de um grande trauma por palhaços (Pretendo falar sobre “A Coisa” em um futuro post). Desde então, na década que se seguiu, venho acompanhando todo tipo de obra feita por S.K. e dificilmente encontrei uma que deixasse algo a desejar.
Há alguns anos atrás, King dava indícios de uma possível aposentadoria, pra desespero de seus maiores fãs, e após sofrer um grave acidente que afetou toda sua vida pessoal e profissional, ele finalmente terminou de escrever sua série “A Torre Negra” , em sete volumes (A qual pretendo falar também em um post futuro), e isso fez com que desistisse de sua tão temida aposentadoria e ganhasse um novo gás pra escrever novas obras. Foi aí que surgiu “Celular”.
Sempre fui apaixonado pela temática pós-apocalíptica e todas as mais variadas formas de como o mundo terminaria, mas a que mais me apaixonou sempre, foi o apocalipse zumbi. “Celular” apesar do nome, trata exatamente desse assunto que muitos adoram, e deu uma nova dimensão ao que já era puro terror: os zumbis de King são inteligentes !
O evento conhecido como “O Pulso” ocorreu no dia 1° de outubro, enquanto Clay Ridell, um jovem escritor e desenhista de quadrinhos, caminha feliz e tranquilamente pelas ruas de Boston logo após fechar contrato com uma editora. Um sorvete parecia o ideal para comemorar essa vitória em sua vida. Tudo muda quando Clay percebe algo errado à sua volta, e tão rápido como um estalar de dedos, pessoas aparentemente normais são acometidas a loucura violenta. Crianças, homens e mulheres matando uns aos outros brutalmente, insanidades bestiais e primitivas, carros se chocando contra a parede e postes, aviões despencando do céu. E tudo o que essas pessoas tinham em comum entre si, era que todas estavam usando o celular, no momento em que enlouqueceram.
Clay se vê em meio à toda essa cena bizarra e sangrenta sem a mínima idéia do que pode estar acontecendo e então, começa sua jornada de sobrevivência.
Durante essa jornada, conhece Tom McCourt, um gay gordo que mora sozinho, cujo gato havia quebrado seu aparelho celular dias antes. Mais tarde, os dois salvam a jovem de 15 anos Alice Maxwell de um ataque de sua própria mãe. E os três juntos, formam o núcleo de protagonistas de “Celular”.
O livro é escrito em um ritmo extremamente frenético e intenso, sem rodeios, sempre com alguma coisa acontecendo que prende por horas a atenção do leitor, ao mesmo tempo que é muito detalhista, como sempre são os livros de King, mas um ponto me chamou mais a atenção nessa obra. É a forma como foi desenvolvida a trama e a forma como ela é explicada e contada: Você não sabe nada mais, nada menos do que somente aquilo que os personagens sabem, ou seja, você está totalmente no ponto de vista deles, você tem as mesmas dúvidas, as mesmas respostas, os mesmos medos e ansiedades que eles têm e isso faz o leitor sentir muito mais o clima pesado e sombrio do livro.
Durante todo o desenrolar da história, percebemos uma certa “evolução” no comportamento dos afetados pelo “Pulso”, que começam a agir de forma mais organizada e a demonstrar certos comportamentos mais humanos e sensos coletivos. Isso leva a muitas especulações e discussões por parte dos personagens do porquê de tudo ter acontecido e do rumo que tudo isso vai tomar. Explicações científicas e sensos comuns são debatidos e analisados a todo o momento, o que leva o leitor a raciocinar e pensar junto com os personagens. O que foi o pulso ? O que gerou o pulso? De onde veio ? Quem o enviou e por quê ? São perguntas que não saem da mente do leitor durante todo o livro. Respostas estas, que nossos protagonistas tentam encontrar, ao mesmo tempo em que procuram desesperadamente pelo filho de Clay.
Posso dizer com toda a certeza que “Celular” foi um dos melhores livros que já li, e recomendo fortemente para todos os amantes dos gêneros zumbi, pós-apocalipse, ou simplesmente suspense e terror. Uma grande obra de um grande escritor.
O mestre do terror, Stephen King.
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