Sobrenatural (Insidious) 2010
Crítica: Novo terror com casa assombrada mistura o estilo atual de Atividade Paranormal com a criatividade e ousadia dos anos 1980, misturando fantasmas, demônios, possessões e crianças numa trama equilibrada, mas que ás vezes cede ao excesso. Admito que este foi o primeiro longa que eu assisti vendo que algumas pessoas ainda se retiravam do cinema enquanto algumas crianças choravam.
Uma família, que acabou de se mudar para uma casa nova, descobre que um espírito do mal está dentro da casa ao mesmo tempo em que o filho do casal entra em coma de maneira inexplicável. Tentando escapar das assombrações e para salvar o menino, eles se mudam novamente e percebem algo terrível que os deixa desesperados: não era a casa que estava mal-assombrada.
É interessante que a renovação dos filmes de terror tenham acontecido mais agora, depois que os americanos descobriram a fonte japonesa para espítiros vingativos muito cabeludos, é legal que um filme como Atividade Paranormal, onde não é mostrado quase nada, ainda assuste a platéia. Os criadores do mesmo aproveitaram tudo o que aprenderam sobre impressionar as pessoas quando lançaram Jogos Mortais (Saw) e Atividade Paranormal (Paranormal Activity). A diferença é que este filme volta a mostrar fantasmas e monstros com aparências bem trabalhadas, algo que os fãs do terror estavam sentindo falta, afinal o bom dos anos 1980 era a criação de cenários e criaturas impossíveis, isso sim é algo que me chama atenção, pois revela o empenho da direção de arte, uma peça muito útil, mas que fica a desejar em várias produções (as de Michael Bay poderiam parar de tentar combinar tudo nos cenários). Destaque para a aparência do demônio, ele parece ter sido baseado nas descrições bíiblicas contendo alguns traços de pintura africana.
O começo do longa remete demais às narrativas da série Amityville, com a clichê apresentação feliz da família percebendo que algo está errado na casa, mas, ainda bem, isso não dura muito tempo (só a abertura monótona que ainda chega a irritar). O filme vai muito mais além de Amityville, apesar de voltar com trama semelhante na primeira metade. As primeiras aparições são muito inteligentes, sem mostrar muita coisa. Destaque para a cena do quarto do bebê, onde a mãe vê um homem atrás do berço. É o tipo de cena que já deveria ter sido mostrada com o mesmo impacto em outras produções, finalmente os diretores perceberam que a sutilidade é o melhor caminho para assustar, que não vale muito a pena colocar algo muito grotesco. É como se você visse um rosto onde não tem, isso faz mais sentido.
Infelizmente, o clímax não empolga tanto quanto a metade, onde ainda não há tantas aparições, deixando a história com um ar de mistério sem apelação. Ao contrário dessa metade, o clímax lembra o clipe Triller do Michael Jackson, há fantasma para tudo que é lado. Em compensação, o roteiro é inteligente, misturando possessão demoníaca com projeção astral. Ainda há uma relação com imagens, nelas alguns espíritos podem ser vistos, mas essa parte é muito mais bem trabalhada do que o fraco Imagens do Além (Shutter).
O elenco não é ruim, cumpre seu papel sem atuações marcantes, a que ainda destaco é a participação da atriz Lin Shaye (uma veterana, já havia participado de A Hora do Pesadelo, Amityville 5, 2001 Maníacos, etc), que interpreta a paranormal Elise, a atriz tem ótimas cenas e mostra que sua personagem oscila entre a responsabilidade e educação, afinal sua primeira aparição é super alegre para depois demonstrar sua firmeza na profissão. Fora que ter uma exorcista mulher quebra o clichê, pois não precisa sempre manter aquela caricatural postura incorruptível ou melancólica.
Sobrenatural não traz muitas novidades, porém faz uma condensação do que há de melhor nos filmes de terror, desde criaturas horríveis a crianças possuídas. O diferente é o alívio cômico, quando a platéia não está gritando, fica rindo, algo raro nos longas atuais. É torcer para que esse retorno aos anos 1980 influencie as próximas produções, para não ficarmos só com a história da repórter ou profissional corajosa que pretende solucionar o passado dos monstros. Em Sobrenatural, eles optaram por colocar elementos passados, que funcionaram, quem vem acompanhando a trajetória do cinema de horror saberá reconhecer e verá que o trabalho do roteiro foi bem feito e não fica tanto a desejar, o vejo como uma homenagem às décadas passadas, provando que ainda há coisas que funcionam na atual.
Direção: James Wan.
Elenco: Patrick Wilson, Rose Byrne, Barbara Hershey, Angus Sampson, Ty Simpkins, Andrew Astor, Lin Chaye.
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