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O Novo Pesadelo de Wes Craven (Wes Craven’s New Nightmare) 1994

Olá, pessoal. Como essa semana estreiou nos cinemas brasileiros Pânico 4 (Scream 4), decidi falar sobre um dos últimos trabalhos do diretor Wes Craven antes de passar para a série do psicopata Ghostface. Gostaria de avisar que essa review não se destinará apenas ao filme O Novo Pesadelo: O Retorno de Freddy Krueger, de 1994. No final acabei fazendo uma análise sobre os filmes do diretor Wes Craven. Espero que gostem, mas a intenção não é ofender qualquer gosto pelos longas dele, que já fizeram muito sucesso.

Crítica: Em 1994, antes de iniciar a série Pânico (Scream), Wes Craven preocupou-se em concluir dignamente a saga que o tornou famoso: A Hora do Pesadelo. A verdade é que a New Line Cinema se arrependeu de ter matado Freddy Krueger no infantil “A Hora do Pesadelo 6″ e em busca de lucro por conta dos fãs, resolveu chamar o diretor do original para fazer a sequência. O resultado foi um filme injustiçado até hoje por carregar o título de sexta continuação, porém que conseguiu contornar as idiotices das últimas sequências com um roteiro inteligente, que faz referência a esquizofrenia, proteção materna, com várias homenagens ao primeiro longa, trazendo um dos vilões mais famosos com nova roupagem e, até mesmo, uma metáfora para explicar sua origem.

Sinopse: Freddy está furioso por ter sido morto no último filme, ele volta à vida para acabar justamente com o elenco dos episódios anteriores. Essa produção que faz inúmeras referências a toda a série.

A sinopse acima diz tudo, estamos diante da vingança de um diretor que resolveu acabar com a palhaçada das sequências que seu clássico de 1984 teve. O elenco do primeiro filme retorna, só que agora para viverem eles mesmos. Heather Langenkamp  está muito bem encarnando Nancy pela última vez, a atriz disse numa entrevista da época que teve vários pesadelos durante as filmagens pelo cansaço. A esquizofrenia é um dos temas abordados, então é natural que fiquemos em dúvida a respeito da natureza dos acontecimentos de Heather e de seu filho, principalmente pelos ataques possessivos que o menino tem e a psicose que a mãe parece sofrer a medida que os ataques se intensificam.

As cenas de terror são muito criativas, os ataques ocorrem em lugares inusitados. Por exemplo, quando Heather entra no caixão de seu marido ou quando tem sua cabeça enfiada num ninho de serpentes. A maioria das mortes faz referência ao primeiro filme, destaque para uma igual a da Tina.

Infelizmente, a história acaba passando dos limites nos 10 minutos finais, decepcionando um pouco ao tentar mostrar que Freddy é o bicho-papão. Isso não é surpresa para ninguém, afinal o conceito de que esses monstros atacam durante a noite tem muita relação com as histórias para assustar crianças. Em certo momento, Wes Craven (também roteirista) joga uma indireta para a natureza violenta dos contos de fadas.

Apesar do problema da conclusão do roteiro, isso não tira seu mérito. O que podemos perceber é que a trama de Wes Craven parece influenciar até os dias atuais. Quem viu o decadente Filho de Chucky (Seed os Chucky) sabe da ENORME coincidência de também ser passado na vida real. Até O Chamado 2 (The Ring Two) talvez tenha se influenciado, com a mãe superprotetora entrando no mundo macabro do vilão. Não é à toa que não deram muito certo, porque essa tentaviva de imortalizar o vilão e torná-lo um ícone não funciona frequentemente. Freddy já era um ícone antes de A Hora do Pesadelo 7.

Não dá para negar que Wes Craven já deveria estar planejando o estilo de Pânico desde esse filme. As referências aos longas anteriores deram certo, isso serviu de confirmação para que ele passasse para a série Pânico, que homenageia os clássicos de horror.O único lamento é que Wes Craven não soube aproveitar o potencial de suas histórias, A Hora do Pesadelo 7 é tão rico em roteiro que todos esperavam um final excelente, com um psicopata diferente, mas ele não poderia esquecer que o filme era sobre Freddy. Essa limitação criativa do diretor parece refletir até hoje, A Sétima Alma (My Soul to Take) sofre do mesmo mal com um final horrendo, bem como Amaldiçoados (Cursed). O problema é que Craven ainda quer usar as características que deram certo uma vez no resto de seus projetos. As indiretas a outros filmes clássicos do gênero já cansaram, ele usou isso em O Novo Pesadelo, Pânico e Amaldiçoados. A protagonista pura e frágil que dá a volta por cima já saiu de moda, ele já havia usado isso em As Criaturas Por Trás das Paredes (através de uma criança) e no 1º A Hora do Pesadelo, mas insistiu em colocar em A Sétima Alma. A fórmula do assassino de adolescentes pecaminosos também morreu. Resta torcer para que Wes Craven atualize-se e nos brinde novamente algum dia com uma história a altura de sua criatividade.

Ator Robert Englund com o diretor Wes Craven


Diretor: Wes Craven.

Elenco: Robert Englund, Heather Langenkamp, Miko Hughes, David Newsom, Tracy Middendorf, Fran Bennett, John Saxon, Wes Craven (interpretando ele mesmo).

Trailer