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Archive for June, 2011

À Prova de Morte (Death Proof) 2007

June 28th, 2011 No comments

prova de morte

Crítica: Tarantino e suas tarantinices… Não é a toa que Quentin Tarantino é um dos meus diretores/atores/editores preferidos, o cara consegue ser extremamente versátil sem nunca sair de seu conceito, criando filmes esteticamente perfeitos (ex. Kill Bill), claro, com ideologia irreal (ex. Kill Bill e Bastardos Inglórios) e exagerada (ex. Pulp Fiction), mas que agradam as massas com facilidade.

Como de praxe, Tarantino faz de A Prova de Morte seu playground pessoal, nele, o diretor brica de antigo e inova ao fazer o vintage se tornar atual. O filme inteiro é climatizado em meados do fim dos anos 70 a começo dos 80 (apesar de claramente se passar nos anos 90/2000 o figurino, a trilha sonora, técnica de filmagem apontam essa aparência antiga e B), e como em quase todos os filmes de Tarantino, é recheado de diálogos extensos (um chega a 40 minutos) e sangue, muito, muito sangue.

A Prova de Morte é dividido em duas partes distintas (outro elemento que Tarantino tem costume de usar em seus filmes), a primeira, tem figurino e trilha sonora mais destacada, mostra um grupo de garotas bonitas, superficiais e que se divertem humilhando os outros, elas conhecem Mike, um dublê que tem um carro equipado para aguentar batidas, capotamentos e explosões, e ser dublê, além de seu trabalho é sua diversão. Ele obviamente é desprezado pelas meninas, principalmente pela cicatriz na sua cara mas se vinga de forma surreal, que inclusive colocarei no lugar do trailer para vocês se deliciarem com tamanha qualidade!

Já na segunda parte, as moças são pacificas, divertidas e que adoram aproveitar a vida sem prejudicar ninguém, Mike passa a persegui-las mas falha, pois esse novo grupo é composto por mulheres com personalidade muito mais forte que o outro, dai pra frente vemos algumas das melhores cenas de vingança já filmadas, com aquele estilo caçador vira caça mas com um toque especial que só Tarantino conseguiria dar.

A Prova de Morte é altamente recomendável para verdadeiros amantes de cinema, ele capricha no figurino, trilha sonora, fotografia e efeitos especiais, tem diálogos variados, dês do ridículo ao intrigante e tem resultado final sádico, diferente e saboroso, como todo bom explotation deve ser!

Direção: Quentin Tarantino

Elenco: Kurt Russell, Zoë Bell, Rosario Dawson, Vanessa Ferlito, Sydney Tamiia Poitier, Tracie Thoms, Rose McGowan, Jordan Ladd e Mary Elizabeth Winstead.

Trailer Cena, pois ela provavelmente fará você querer ver o filme!

Assista, apesar de ser uma das melhores cenas do filme ela não vai estragar sua experiência ao assistir ele!

Deixo aqui minha recomendação para o filme recentemente lançado As Viagens de Gulliver, Jack Black está genial nele e apenas não posto por fugir da proposta do blog, se gostou do post, de joinha, comente e twitte. =)

Maníacos (Summer’s Blood/Summer’s Moon) 2009

June 28th, 2011 No comments

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Crítica: Passeando pelo terror psicológico, Maníacos acerta no tema mas erra feio em como ele é contado, fazendo com que a experiência seja muito pouco satisfatória.

No filme, Summer (interpretada por Ashley Michelle Greene) é uma típica adolescente sem limites que beira o marginalismo, em uma de suas empreitadas na cidade onde procura seu pai, acaba conhecendo Tom Hoxy (Peter Mooney), garoto boa pinta e misterioso que a ajuda enquanto escapava de um roubo. Como agradecimento ela sai com ele, eles transam e como boa pilantra que é, ela tenta rouba-los ao amanhecer, mal sabia ela que Tom é criado por uma mãe perturbada, com o qual comete incesto, e tem costume de sequestrar moças e prende-las em um jardim (???) subterrâneo alegando que com a presença delas as plantas crescem mais.

Sim, o roteiro é muito original mas por ser mal usado, a cenas de incesto são as únicas que realmente conseguem o objetivo que o filme inteiro propõe, ser impactante. O filme não mede esforços pra tentar ser chocante, mas no fundo, a tecla de jardim batida a todo momento foi a principal causa da minha desaprovação, chega a ser ridículo uma pessoa sequestrar belas mulheres apenas porque tem um jardim e quer que ele cresça vigorosamente, às deixando amarradas em um tipo de “xaxim” gigante enquanto ele não tem confiança o bastante pra deixa-las soltas. Enfim, é uma proposta muito boa mas extremamente mal executada, só ganha a nota 2/5 por ter pitadas incestuosas repulsivas, um conflito familiar desconfortável e um final que me surpreendeu, afinal (spoiler) que o pai dela morreria era obvio, só não achava que ela não continuaria os assassinatos da família, afinal, marginal ela já era então não custava nada!

OBS. Na minha opinião o personagem Gant (Stephen McHattie) tenta ser uma espécie de Jack Torrence (Jack Nicholson).

Direção: Lee Demarbre

Elenco: Ashley Greene, Peter Mooney e Barbara Niven.

Trailer

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O Soro do Mal (Brain Damage) 1988

June 25th, 2011 No comments

Crítica: Pôster bobinho, título superficial e efeitos antigos. Não se enganem, pois Brain Demage é mais polêmico do que muitos longas-metragens feitos atualmente. Certos filmes de terror ficam marcados pela violência, alguns pela bela fotografia ou a boa direção de algum cineasta famoso, mas outros ainda conseguem sobreviver às décadas por tratar de temas que se tornariam debates no futuro, esse é o caso de Brain Demage. Apesar de ser trash e trazer efeitos B (para os amantes desse entretenimento), o longa ainda pode ser lembrado como uma das principais metáforas para as drogas em filmes de terror, tendo até mesmo inspirado um álbum da banda Pink Floyd.Brain Damage (em inglês, algo como: Danos Cerebrais) nos apresenta Brian, um jovem que entra em contato com um nojento parasita que secreta uma droga altamente viciante. Brian se torna viciado na tal substância. Mas o parasita exige algo de Brian para continuar lhe fornecendo as doses: cérebros humanos. A partir daí Brian é obrigado a ir a caça de vítimas para saciar o tal parasita para que ele continue recebendo as doses da droga da qual ele se viciou.

A história é bem simples e nos dez minutos iniciais corre sem o telespectador entender o que está acontecendo até mostrar os primeiros delírios do protagonista, infectado pela droga sem saber. O interessante é que quando o soro é injetado na nuca do rapaz, a câmera mostra o cérebro recebendo o líquido e afetando os neurônios. Brian surta com os efeitos da droga e não raro parece um louco correndo estupidamente feliz, excelente atuação de Rick Hearst.O roteiro é subliminar, mas é óbvia a indireta às drogas e, por ser voltado para os jovens da época, não se preocupou muito em explicar detalhes, afinal o medo vinha justamente do desconhecido. A verdadeira chave para a história está na realidade, numa das cenas Brian tenta parar com o soro, mas seu organismo ou mentalidade doentia necessita daquilo a ponto do corpo do rapaz morrer sem a substância. É muito comum na vida real os usuários passarem por um período angustiante após iniciar o tratamento contra o vício. Além disso, neste momento em que o personagem está sucumbindo ao tentar parar, seu irmão (único parente mostrado) está extremamente distante, o que denuncia a dificuldade da recuperação sem a ajuda hospitalar e familiar.

Não se enganem com a aparência trash e stop-motion do vilão, ele representa muito mais do que um parasita nojento. Aylmer é o vício em presença, é como se uma droga ganhasse vida e falasse. Há vários diálogos perversos dele como:  “agora você não terá mais problemas”, “confie em mim”, “você não consegue viver sem mim”, além de muitos outros bem piores e depressivos (principalmente nas cenas em que Brian estava quase morrendo tentando parar). Brian torna-se um robô nas mãos de Aylmer, o adolescente é capaz de qualquer coisa para ganhar a sensação.Certas cenas confundem o telespectador: afinal o assassino era Aylmer ou Brian? essa pergunta cada um terá de responder. Acredito que seja mais uma metáfora porque é da maneira conforme Aylmer havia dito, Brian e ele seriam agora eram a mesma pessoa. Para o viciado, a droga e o corpo passam a ser uma coisa só e as ações imprudentes, antes corriqueiras, passam a ser constantes, admitindo a culpa na verdade do usuário e não só da substância (Aylmer).

É curioso que a existência de Eylmer fosse disputada apenas pelos que estão no mundo das drogas, uma bela indireta ao mundo real está na origem de Eylmer, sempre exportado em sigilo por negociantes ricos, de forma que a população jamais tivesse conhecimento sobre a criatura/substância, quantas drogas não foram descobertas após já estarem sendo usadas no mundo do crime?Brain Demage não deve ser encarado como entretenimento extremamente intelectual, porque esse não é seu objetivo. O filme é repleto de humor negro (do jeito que só a década de 1980 sabia produzir) e possui questões sociais que abordariam a sociedade durante décadas, como o vício nas drogas, abandono familiar, adultério, algo sobre a sexualidade (só mensagens subliminares). Sem duvida, uma produção peculiar que consegue cumprir a proposta: um longa divertido e sangrento com um roteiro esperto feito para aqueles que buscam algo mais do que apenas um longa adolescente.

Direção: Frank Henenlotter.

Elenco: Rick Hearst, Gordon MacDonald, Jennifer Lowry, Theo Barnes, John Zacherle.

Trailer