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Archive for the ‘Críticas’ Category

Quando Chega a Escuridão (Near Dark) 1987

July 8th, 2011 No comments


Crítica: Antes de ganhar o Óscar de Melhor Direção por Guerra ao Terror (The Hurt Locker, 2009), Kathryn Bigelow dirigiu um filme de vampiros, entrando num mercado quase exclusivamente masculino. Admito que até alguns meses atrás ainda não tinha lido nada a respeito dessa produção e lamento isso porque, desde que o vi,  já está na minha lista dos dez melhores filmes de vampiros. Lá fora, já é considerado um clássico no nível de Os Garotos Perdidos (The Lost Boys, 1987).

Caleb Colton (Adrian Pasdar) é um rapaz que vive com o pai e a irmãzinha numa fazendo do meio-oeste, um dia interessou-se por uma moça de passagem pela cidade, Mae (Jenny Wright), e lhe oferece carona. Os dois conversam e Mae diz que ele nunca havia conhecido uma garota como ela, entre os beijos Caleb leva uma mordida no pescoço enquanto a garota sai correndo. O amanhecer não demora e o rapaz começa a se queimar no sol, ele não consegue chegar a sua casa porque antes disso é sequestrado e colocado dentro de uma caminhonete, a partir daí ele terá que conviver com um grupo que percorre o país evitando suspeitas e se alimentando de sangue para sobreviver.O cinema vampiresco já está quase defasado, sempre há algo naquele filme atual que já fora contado em algum longa anterior. É nessas horas que ainda tenho a esperança de assistir a algum filme que desperte meu interesse no tema, por isso gosto dos longas oitentistas, são tão criativos que não entendo como décadas depois não aparece uma história, de fato, original ou mesmo que faça melhor uso das idéias antigas. Talvez a solução seja uma direção diferente e inovadora, felizmente é isso que Bigelow nos traz.

Creio que uma das maiores dificuldades encontradas nos filmes em geral seja expressar em cenas todo o magnetismo e sensualidade entre um casal, não é algo que possa ser colocado apenas em palavras ou em algum acontecimento que faça um admirar o outro. Os movimentos são como uma coreografia em que os atores devem estar em sintonia, afinal a sedução também consiste em chamar a atenção de alguém sem alarmar a situação. O jogo de olhares é fundamental numa cena de sedução, para que o telespectador compreenda o porquê da proximidade do casal. É nessa coreografia (e às vezes na trilha sonora) que está o problema, principalmente se tratando de vampiros. Na maioria dos livros, essas criaturas são descritas como atraentes ao extremo, talvez sem uma aparência admirável, mas com o jogo da sedução muito bem ensaiado, como se os olhos fossem projetados para atrair a outra pessoa. É raro de assistir a uma cena num longa de vampiros que realmente nos faça acreditar no tamanho da atração que a personagem pode estar sentindo em contato com o sanguessuga, mas Bigelow consegue essa proeza sem apelar para lentes de contato e música pop. A cena do carro onde ocorre um dos primeiros beijos é acompanhada de closers peculiares, música sombria e câmera lenta, além de uma iluminação mais escura, a câmera não faz giros chatos nem movimentos bruscos, isso dá uma particularidade maior à cena. Porém o mérito maior dessa parte fica para a atriz Jenny Wright, praticamente uma “achada”, ela mostra que tem muito talento, além de possuir uma beleza exuberante e conseguir ser bastante sensual em seus movimentos (reparem a maneira como ela limpa a boca de sangue na cena do bar para se aproximar de uma nova vítima), sinceramente ainda estão para criar uma vampira mais sensual que sua personagem Mae. Uma das coisas que mais desagrada os fãs nos filmes de vampiros recentes é a falta de crueldade, esse ingrediente é essencial em qualquer longa das criaturas, afinal não se pode passar uma eternidade exterminando os animais de um bosque (Crepúsculo). Quando Caleb Colton (Adrian Pasdar) foi transformado, tinha que saber as regras que a nova vida (ou morte) lhe traria, imaginei que a “galera” tivesse um meio de sobreviver sem matar, mas a primeira coisa que ele foi instruído é a matar toda noite. Quem lhe ensinaria isso seria sua namorada Mae. É incrível o aspecto de maldade que a moça, antes meiga, possui no momento de cometer um assassinato, ela é mais durona que o caubói. Uma das melhores cenas é a do bar, onde ocorre uma chacina sem piedade com os vampiros alimentando-se de humanos. Nela podemos conhecer um dos principais vilões, Severen ( Bill Paxton) é cruel e cara-de-pau como se fosse um Lestat dos anos 1980. Bill Paxton está excelente, assim como o resto do elenco, incluindo o ex-ator-mirim, Joshua Miller. É aceitável que os conceitos do grupo só são policitamente corretos se incluirem algo que forceça prazer aos vampiros, por isso todo o bando também é visto como vilão pelas suas perversidades e falta de compaixão, características bem vindas no gênero.O final pode ser algo de muitas críticas por ser bem diferente do que costumamos ver, mas isso é uma das coisas que dá fôlego ao filme, talvez esse fim seja a maior contribuição que ele gerou para as produções vampirescas, todos já estão acostumados à falta de conclusão, estava na hora de alguém criar um desfecho diferente.Talvez o maior mérito de Near Dark seja a ousadia de impor uma narrativa que misture vários gêneros: ação, terror, romance, faroeste, etc. Acredito que esse filme ainda sofra um pouco do preconceito das pessoas por incluir romance, mas comparações com Crepúsculo não têm muito fundamento, visto que Near Dark foi lançado mais de uma década antes e não ter o estereótipo da moça que aguarda o rapaz perfeito ou vice-versa, aqui a fera é a moça e o protagonista só buscava uma noitada com ela antes de sofrer a transformação, a sorte é que eles se gostaram, não que houve um reconhecimento relâmpago de paixão. O que mais me admirei é que ele não aparenta muito ser da década de 1980, a trilha sonora (muito boa, por sinal) não têm tanto aquela batida eletrônica, além da maneira como a trama caminha também não ser tão comum da época, se tivesse sido feito há alguns anos atrás não teria tantas mudanças (por sinal, a refilmagem foi cancelada após a estréia de Crepúsculo). Infelizmente, é muito raro encontrar esse filme no Brasil por não ter sido lançado em DVD por aqui.

Direção: Kathryn Bigelow.

Elenco: Adrian Pasdar, Jenny Wright, Lance Henriksen, Bill Paxton, Jenette Goldstein, Tim Thomerson, Joshua John Miller, Marcie Leeds, etc.

Trailer:

A famosa cena de sedução que eu citei:

Vampiros (John Carpenter’s Vampires) 1998

July 5th, 2011 No comments

Review: E quando achamos que o humor testosterona estava condenado apenas para os filmes de ação de Sylvester Stallone ou Jason Statham, eis que surge um exemplar misturando vampiros, faroeste, tiroteios e diálogos pós-cena infames. Se Padre (Priest, 2011) atraiu público ao cinema para ver um longa sobre exorcismo e vampiros no faroeste, é bom saber que antes dele já havia um ótimo representante no mercado: Vampiros de John Carpenter.O que até hoje mais me impressiona é o fato de Vampiros aparentar uma produção despreocupada e simples porque, mesmo assim, ainda consegue entregar uma história gratificante para os fãs do terror. Apesar dos mais exigentes não admitirem o roteiro fácil, não dá para negar que uma trama sobre vampiros vilões ainda é bem vinda. Desde que os sanguessugas entraram em alta, Hollyhood concentra-se em mostrar o ponto de vista amigável deles. A maioria dos filmes de vampiro possui algum personagem bonzinho que, por alguma tragédia do destino, se transformou, e é justo este que irá lutar contra a sede da própria raça. É com grande orgulho que digo que este filme NÃO POSSUI VAMPIROS BONZINHOS. Valek não possui nenhum passado cheio de resentimentos e não tem remorso.Os métodos usados pelos caçadores para matar os vampiros são muito criativos, rendendo belas cenas. O único ponto baixo é o fato dos vampiros ficarem muito semelhantes a zumbis, porque não possuem quase nada de inteligência, com excessão do líder, Valek. A trajetória de perseguição ao grupo de Valek é bem contada, rendendo cenas muito boas no deserto. Há uma cena que nunca esqueci desde a infância, quando os vampiros levantam-se da terra (eles não tinham onde dormir e se enterraram, nada de caixões luxuosos). O vermelho e amarelo do dia e a fotografia azul da noite são muito importantes para dar o clima necessário nos locais desérticos, lembrando que aquilo está acontecendo longe dos olhos dos humanos. Isso é uma característica que aprecio muito nos roteiros de John Carpenter: o sigilo, afinal se há apenas poucos grupos de vampiros no mundo, não dá para se formar uma guerra. Com a quantidade de autoridades mundiais e suas armas, os sanguessugas já deveriam ser extintos, exceto se isso não ocorresse na “cara” do mundo. Os filmes de Carpenter, geralmente, narram acontecimentos isolados, assim torna mais coerente o risco dos vilões aniquilarem o pequeno grupo de humanos.A trama, apesar de cair em diálogos canastrões de James Woods, não é de toda simples. Ainda está interligada à Igreja Católica e não se trata da descrença do perigo das criaturas e sim da sua culpa na existência delas. O próprio símbolo que os vampiros tanto procuram está extremamente associado à religião: uma cruz negra. Poucas vezes vemos um vampiro ciente de que seu avanço virá de algo divino. Notem a roupa de Valek e notarão que é semelhante a uma bata de padre.

A personagem da prostituta não dialoga demais, porém sua ênfase está nas reações. Pode-se dizer que a nomeação de Sheryl Lee a atriz secundária no Saturn Awards de 1999 foi merecida. Ela chora, treme, tem visões, mas sua interpretação não parece forçada. Ela guiará os caçadores a Valek, assim como Mina na perseguição por Drácula.O desempenho do elenco é suficiente, destaque para Thomas Ian Griffith e James Woods, de fato a luta entre os dois não desaponta. Aatriz Sheryl Lee não tem muito o que fazer além de dormir e mostrar sua beleza.  Apesar de ter um orçamento mais baixo que outros filmes, Vampiros não desaponta, além de não perde o fôlego em momento algum nem poupar sangue quanto necessário.

Direção: John Carpenter.

Elenco: James Woods, Thomas Ian Griffith, Sheryl Lee, Daniel Baldwin, Maximilian Schell, Tim Guinee, Mark Boone Junior, etc.

Trailer:

Bedevilled (Kim Bok-nam salinsageonui jeonmal) 2010

June 30th, 2011 No comments

Bedevilled_DVDRip_XviD_RMVB_Legendado_hulk_downsCrítica: Porra, esse é sem dúvida um filme que da pirocadas na cara da sociedade, aliás, esse é o filme perfeito para assistir com sua namorada no Dia das Mulheres, é claro, se achar sofá confortável e preferir uma punheta à uma buceta… tá certo, exagerei no palavrão no começo desse review, mas entendam, é um dos melhores filmes que assisti nos últimos tempos além de ser mais uma prova de como o cinema oriental cresce com força e é eu começar a falar sobre ele e me empolgar.

Bedevilled conta a história de duas amigas, Hae-won e Bok-Nam, que acabam parecendo antagonistas com tamanho drama que o roteiro dispõe aos olhos do espectador, cada personagem tem suas características bem destacadas no filme, Hae-won trabalha na grande Seoul (capital da Coréia do Sul), como seu trabalho é desgastante ela pega alguns dias de férias para se afastar da confusão que é viver em uma cidade grande, seu destino escolhido é a ilha Moo-do, mas ela não vai para esta ilha apenas com o objetivo de descansar, ela quer encontrar sua amiga de infância, a jovem Bok-Nam, uma mulher sem razão para viver, que é escravizada pelos habitantes da ilha, estuprada, traída, espancada, humilhada e que tem como único ponto de apoio sua filha, Kim Yeon-hee, uma amável e pequena criança que claramente tem que crescer e amadurecer mais rápido do que devia para saber suportar a ira de seu pai, Man-jong, homem rústico, machista, violento, pedófilo e infiel que quando não esta preparando a filha para um possível estupro está espancando a mulher ou comendo prostitutas, mas a parte mais chocante de tudo isso, é que vivem mais umas 4 ou 5 pessoas na ilha que sabem de tudo isso e encobertam e/ou apoiam as atitudes controversas de Man-jong.

Bok-Nam não percebe, mas até sua amiga, Hae-won tem certo desprezo por ela, e a inocência dela chega a cortar o coração! Esse desprezo se torna mais claro em um dos principais acontecimentos do filme, quando ela escolhe não ajudar a amiga durante uma sequência agoniante, a frieza das cenas a seguir são de revirar o estomago, difícil uma pessoa que não se toque com tal proporção de drama. Depois dessa longa sequência, que provavelmente é a mais pesada do filme, chega a hora que o filme tem que saciar o espectador, a vingança, quando Bok-Nam não aguenta mais um minuto daquela vida, ela deixa todo e qualquer sentimento de lado para acabar com aquela história, e assim caça um a um dos que se dizem sua família e amigos em cenas de vingança deliciosas que como resultado culminam em um final injusto e pessimista que sem dúvida vai te fazer refletir, e infelizmente, chegar à péssima conclusão que ainda existem lugares no mundo onde à desigualdade e a opressão machista domina, Bedevilled é sem dúvida um dos melhores filmes da década passada, é pesado, sangrento, controverso, dramático e desconcertante e faz por merecer sua nota!

Ahh, é claro, uma amostra da fascinante fotografia do filme.

BedevilledC

Direção: Chul-soo Jang

Elenco: Yeong-hie Seo, Seong-won Ji e Min-ho Hwang.

Trailer

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