O Opus Dei foi fundado por Josemaría Escrivá de Balaguer em 2 de Outubro de 1928 em Madrid, na Espanha. “A Obra de Deus não foi imaginada por um homem” ; “Há muitos anos que o Senhor a inspirava a um instrumento inepto e surdo, que a viu pela primeira vez no dia dos Santos Anjos da Guarda, no dia 2 de outubro de 1928.”
Bem, segundo a nossa fiel amiga Wikipédia, Opus Dei define-se como:
Uma organização internacional de leigos, a que também pertencem sacerdotes seculares (uma pequena parcela em comparação com o total de sócios). Seus sócios são pessoas que vivem no mundo e nele exercem a sua profissão. Não entram no Opus Dei para abandonar esse trabalho, antes, pelo contrário, para encontrar uma ajuda espiritual que os leve a santificar o seu trabalho ordinário e a convertê-lo também em meio de santificar-se e de ajudar os outros a santificar-se.
Não mudam de estado — continuam a ser solteiros, casados, viúvos ou sacerdotes —, mas procuram servir a Deus e aos outros homens dentro do seu próprio estado. O Opus Dei não está interessado em votosou promessas; o que pede aos seus sócios é que, no meio das deficiências e erros próprios de toda a vida humana, se esforcem por praticar as virtudes humanas e cristãs, sabendo-se filhos de Deus.”
O Opus Dei tem como lema “encontrar Deus no trabalho e na vida cotidiana”. Procura a santificação de cada cristão no meio do mundo, através do exercício profissional cotidiano e no cumprimento dos deveres pessoais, familiares e sociais de cada um, de maneira a que cada indivíduo se torne um fermento de intensa vida cristã em todos os ambientes em que se encontre inserido.
Para essa finalidade a prelatura proporciona os meios de formação espiritual e atendimento pastoral aos próprios fiéis e também a muitas outras pessoas. Através desse atendimento pastoral, as pessoas são estimuladas a colocar em prática os ensinamentos do Evangelho, mediante o exercício das virtudes cristãs e a santificação do trabalho.
Isto significa, para os fiéis da prelatura, trabalhar segundo o espírito de Jesus Cristo: realizar as próprias tarefas com perfeição, como forma de dar glória a Deus e servir aos outros, e, deste modo, contribuir para santificar o mundo, tornando presente o espírito do Evangelho em todas as atividades e realidades temporais. Os membros da prelatura praticam também as chamadas normas de piedade, que consistem em, por exemplo, rezar o terço todos os dias, visitar Deus no sacrário ou confessarem habitualmente.
Os fiéis da prelatura realizam pessoalmente a sua tarefa evangelizadora nos vários âmbitos da sociedade em que estão inseridos. Por conseguinte, o trabalho que levam a cabo não se limita a um campo específico, como a educação, o cuidado de doentes ou a ajuda a deficientes. A Prelatura propõe-se recordar que todos os cristãos, seja qual for a atividade secular a que se dediquem, devem cooperar na solução cristã dos problemas da sociedade e dar testemunho constante da sua fé.
A principio quando Josemaria idealizou esta seita o seu objetivo talvez fosse este de fato, mas infelizmente como muitas outras, não se aplica a prática.
Poderíamos definir a Opus Dei como uma sociedade de velhos com cheiro de naftalina iludindo jovens rapazes ( na maioria das vezes ) a entregar-se a uma vida apostólica e bela, que na verdade o objetivo é apenas usá-los como peças em seus jogos de interessante e manipulação.
Esta sociedade secreta possui algumas características muito particulares como o uso do “cilicio e da disciplina”. Cilicio nada mais é que um cinto de metal com pontas finas. Este é envolto na coxa para assim constituir o ritual de auto-flagelação. Disciplina seria o ato de se açoitar-se ferozmente com uma espécie de chicote. Segundos os adeptos desta prática: A mortificação tem utilidade, não só como penitência, mas para nos purificar das faltas passadas – como reparação: “Completo em mim o que falta à paixão de Cristo” . Tenho real compaixão por estas almas iludidas por seres baixos que só buscam o poder e o status.
Os membros mais antigos dizem-se defensores de Cristo e a tradição da Igreja (Católica), mas o que realmente importa para estes é preservar a sua imagem e reputação para assim arrebanhar mais “ovelhas” ingênuas.
No Opus Dei, exerce-se controle contínuo e obsessivo sobre a consciência de seus membros, pratica-se a coação psicológica contra quem deseja desligar-se da prelazia, e as “crises de vocação” decorrentes desta coação passam a ser encaradas como distúrbios psiquiátricos. Tudo isso a Igreja católica repudia, em teoria. Agora, precisa descobrir que, na prática, queira ou não, está aprovando essa conduta.
Perante ao clero o Opus Dei apresenta-se como uma sociedade com lindas causas e devoção a Deus. O que obvio não se aplica e o que faz com que muitas pessoas cansem de serem exploradas e manipuladas como bonecos, abandonando assim, essa vida.
Um exemplo disso está neste depoimento de um ex-membro do Opus Dei:
Há 10 anos saí do opus dei
Há 10 anos saí do opus dei. É a primeira vez que falo em público – ou melhor, que escrevo na Internet, o que é praticamente a mesma coisa – sobre essa mancha em minha vida. Fui numerário por 10 anos e quando saí e olhei para mim, vi que eu era um limão espremido, de quem haviam tirado quase toda a seiva. Pensei que levaria outros 10 anos para me recompor como pessoa humana. De fato, a estimativa estava certa. Somente agora, que tenho 40 anos de idade, posso falar dessa experiência traumática sem tremer.
Ainda fico constrangido, obviamente, pelo fato de que revelar que fiquei 10 anos lá dentro é um gesto que equivale a escrever na própria testa – “sou idiota”. Mas, como disse, agora isso não me impede mais.
É claro que para eu criar coragem de escrever aqui cooperaram, em muito, meu casamento e o nascimento de minha filha.
Também contribuiu o contato com pessoas que haviam passado pelo mesmo drama, muitos em situação bem pior que a minha.
Ter sido numerário do opus dei era motivo de vergonha íntima, pois pensava que só eu tinha passado por isso. Mas vejo que outras pessoas, nada idiotas, caíram no mesmo golpe. Além disso, tenho a meu favor o fato de ter conhecido o opus dei com 18 anos, e ter entrado lá com 20 anos. Sinceramente, eu não posso me envergonhar de ser imaturo nessa idade, a ponto de ter sido seduzido pelas armadilhas dessa maldita seita.
No opus dei, eles dizem que “a porta é pequena para entrar e grande para sair”. Mais ou menos. Que a porta seja pequena para entrar, eu não duvido. Há uma seleção que envolve até aspectos físicos. Quando eu conheci o centro, fui para assistir a um curso de astronomia, enquanto fazia cursinho pré-vestibular. Não deram muita importância para mim. Ocorre que ao final do ano eu ingressei na USP. Imediatamente o tratamento deles mudou comigo. Me ligavam, não me deixavam em paz. Eles gostam muito de quem faz curso de exatas, como era o meu caso. Depois vim a entender o interesse súbito. É que eles queriam que eu, entrando para o opus dei, pudesse levar outras pessoas “selecionadas” para lá. São uns oportunistas, interesseiros.
Mas a porta de saída não é grande. Na verdade, eles morrem de medo que uma pessoa saia e conte os segredos e os absurdos que fazem com as pessoas lá dentro. Entrei no opus dei em 1985. Seis meses depois eu já queria sair, e manifestei isso explicitamente. Você acha que foi fácil? Há dezenas de pessoas que praticamente não trabalham nem fazem nada apenas para cuidar que você não saia, depois de ter entrado. Fiquei nas mãos desse pessoal por 9 anos e meio. Toda a estratégia deles consiste em dizer: se você não está satisfeito e quer sair, é porque ainda não foi a fundo. Minha atitude então foi como daquele motorista que, perdido, acelera mais para tentar sair mais rápido de onde está, o que acaba por levá-lo para mais longe do caminho certo.
Nesses 10 anos que passei fora de lá, pude entender o que, na época, foi impossível: quais as estratégias que utilizaram para me fazer entrar, e me impedir de sair.
Não vou relatar tudo aqui, mas estou disposto a conversar com quem quiser sobre essa minha experiência traumática. Fico aflito em pensar que outros jovens possam cair no mesmo golpe, pois o prejuízo não é só financeiro (se bem que é financeiro também!). Perder os anos de vida que transcorrem entre os 20 e os 30 anos de idade não é nada aconselhável.
Gostaria apenas de, destacar, aproveitando essa ocasião, a importância do segredo na estratégia do opus dei para conseguir que uma pessoa entregue todos os seus bens para eles e passe a trabalhar para eles como escravo.
Estou convencido de que o segredo é tudo para eles. Vou contar dois fatos. Dois dias antes de pedir admissão no opus dei (na verdade, a gente pede admissão mas são eles que colocam esse “pedido” em nossa boca e a gente escreve uma carta pedindo para entrar em um contexto de total coação, já que estamos movidos pela pesada sedução empregada por eles …), ou seja, nas vésperas desse passo importante, em que eu “veria claramente minha vocação” (efeito de pesada sugestão), é que fiquei sabendo, estarrecido, que não só aquele meu “amigo” que conversava comigo a fim de me fazer entrar não tinha namorada, mas que nenhum daqueles rapazes e homens feitos que moravam no centro tinham namoradas, esposas … Mas essa informação (que acho importante, não?) foi passada para mim como se fosse um pormenor. O importante era minha “vocação”. Ora, vocação para que exatamente? Cerca de uma semana depois que pedi a tal admissão, entrei na parte do centro cujo acesso me era proibido. Estava embebido da euforia de quem, com 20 anos de idade, está tomando decisões eternas de forma totalmente inconseqüente. Ocorre que, cerca de uma semana depois, ao abrir uma porta para procurar um livro na sala de estar dessa parte proibida, encontrei uma caixa que abri por mera irreflexão. Lá dentro estavam objetos misteriosos para mim. Algo que parecia uma corrente dentada para prender cachorro bravo, e um chicotinho para lambar burros ariscos. Eram os famosos “cilício” e “disciplina”, objetos de auto-flagelação que eu viria a conhecer muito bem nos 10 anos seguintes.
Mas reparem na situação. Eu mostrei essa caixa, que pertencia a um outro adjunto mais velho que eu (adjunto é um numerário antes de morar no centro), ao diretor, fazendo alguma piada, que não lembro. O que me recordo claramente foi a expressão contrariada do diretor, que me tomou aquilo das mãos e deu uma bronca no adjunto descuidado que deixara eu ver aqueles objetos secretos. Então o diretor me levou para sua sala e, após algumas broncas, me disse que eu tinha uma série de coisas para aprender, cada uma no seu tempo, e que as mortificações corporais eram para eu aprender mais tarde (acho que dali a um mês). Mas, como eu tinha visto aquilo (nessa hora eu me lembro bem que estava em profundo estado de pânico), então ele ia me adiantar essa aula …
Não vou, como prometi, me alongar falando de minha triste – e ao mesmo tempo interessante, não posso negar, história. Apenas queria dar esses dois exemplos para mostrar que a tática deles é o segredo revelado aos poucos. Ninguém provido de juízo aceitaria o seguinte convite: “Abandone sua família, passe a usar 2 horas por dia de cilício, use disciplinas 2 vezes por semana (no mínimo), passe a levantar às 5 da manhã e tomar um banho frio, durma uma vez por semana no chão duro, para de olhar para mulheres, esqueça a idéia de casar e ter filhos, obedeça cegamente a diretores neuróticos e maníacos, passe a pedir dinheiro para conhecidos e desconhecidos, venda livros inexistentes, faça amizades por interesse, deixe seus sonhos profissionais de lado …”
Ao invés disso, eles dizem: “Venha ser feliz e sorrir o dia inteiro, doando-se a Deus e ao próximo para salvar a humanidade”. Só que nada disso é verdade quando se trata do opus dei. O sorriso é mortificação de numerários cansados, que depois de alguns anos sorriem mesmo quando alguém lhes pisa no calo (literalmente). Não há Deus no opus dei, que prega uma forma de adoração aterrorizada a Deus que tem as mesmas características de um demônio sádico. Não se dá a menor atenção ao próximo, ninguém lá dentro pensa em “salvar a humanidade”, e a felicidade realmente só existe, como na piada do sapato apertado, quando você vence todas as barreiras psicológicas e todo o assédio moral e finalmente decide-se a ir embora de lá, com uma mão atrás outra na frente (já que todo o seu patrimônio foi roubado, inclusive te obrigam a escrever um testamento deixando tudo para eles).
Outra coisa que nunca dizem é o que acontece com quem sai. Ora, se você mora 10 anos com um pessoal, divide o quarto com eles, por que, no dia seguinte ao de sua saída, você passa a ser ignorado completamente por eles? Não é apenas falta de caráter ou caridade deles não. É estratégia. Quem está lá dentro não pode ter contato com quem sai, para que possam cultivar o absurdo aforismo de que, quem sai, está condenado a ser infeliz.
É claro que a pessoa sai de lá bem infeliz (ainda que eu saí aliviado, pois foram anos e anos de esforço pessoal para vencer o assédio moral contínuo deles). Infeliz por quê? Porque você passou 10 anos sem ver a cor do seu salário, sem carro, sem objetos pessoais, até suas anotações de anos (no meu caso, caixas e caixas de fichas), você tem que deixar lá. Eu estava com 30 anos e sem nenhuma maturidade emocional, pois passei todo esse tempo tentando ignorar minha sexualidade (gostaria de escrever um livro sobre a visão do opus dei sobre a sexualidade), tentando ser um estranho no meio das pessoas que conviviam comigo. Enfim, a história da reconstrução da minha alma fica para outra ocasião.
Bem, gostei da oportunidade do desabafo, feito sem revisão, de uma vez só, e estou como disse aberto para contatos e esclarecimentos principalmente para quem esteja pensando em cair nesse golpe, ou seja, entrar na perigosa seita opus dei.
Antonio Carlos Brolezzi
Testemunhos como este deveriam fazer com que a Igreja repensasse o seu apoio a esta “instituição”, esta está longe de seus ideais iniciais, sempre em busca do poder e de promover a sua imagem.
Se realmente existe um Deus ( vamos deixar esta discussão sobre ateísmo para outra hora), com certeza este não apóia tais práticas, e acredito que pessoas como estas queimarão no Inferno ( se este existe de fato também) pois a hipocrisia está enraizada nesta sociedade, o que mais causa revolta e indignação.