

Sinopse: O jóvem Simons (Geoff Breton) junto com seu amigo Alex (Geoff Breton) cursam o Trinity College na Inglaterra nos anos 40 e Simons em seu interesse pelo estudo da Magia e Teologia acaba conhecendo o velho e recluso Aleister Crowley (John Shrapne).
No dia em que Crowley morre, em seu quarto de pensão, os dois estão presentes e o relógio de Crowley acaba indo parar nas mãos dos dois amigos.
Cinqüenta anos depois Alex e Simons são professores jubilados em Cambridge, onde uma maquina de “realidade virtual” e seu idealizador o físico Joshua Mathers (Kal Weber) chegam para uma série de experiências. A máquina é programada com códigos binários relacionados às antigas magias de Crowley e acidentalmente acabam trazendo a sua alma reencarnada no corpo do tímido, gago e inexpressivo Professor Haddo.
Obviamente o comportamento de Haddo muda completamente e numa aula sobre Sheakespeare ele acaba sendo suspenso da faculdade.
Uma aluna de Haddo, Lia Robinson (Lucy Cudden) aproxima-se de Mathers e por ser um exemplar perfeito da “mulher escarlate” cai nas graças do então reencarnado Crowley para ser o objeto da sua grande experiência mística não consumada: “O Casamento Químico”.
Direção: Julian Doyle
Elenco: Simon Callow, Kal Weber, Lucy Cudden, Jud Charlton, Paul McDowell, John Shrapnel, Terence Bayler, Richard Franklin, Mike Shannon, Helen Millar.
Resenha: O filme apenas por abordar a vida de Crowley e por ser o primeiro filme com um roteiro co-escrito por Bruce Dickinson e trilha assinada pelo mesmo já chama a atenção por esses detalhes.
A estréia de Bruce no cinema rendeu um filme interessante e bastante controverso. Numa entrevista ele brincou o com fato de que quando ele comentava com seus amigos sobre seus planos de realizar um filme sobre Crowley, a maioria deles dizia sempre: “Não”! “Você está louco!”.

Mas o seu projeto junto ao diretor Julian Doyle finalmente chegou as telas em 2008 com “Chemical Wedding,” nome de um de seus melhores discos solo e música tema do filme por motivos óbvios.
Muitos são os detalhes co-relacionados entre o filme e as letras, músicas e capas de álbuns tanto de Dickinson, como do Iron Maiden.
A começar pela capa do álbum Chemical Wedding que mostra a ilustração do poeta e escritor Britânico William Blake “Ghost of a flea” de 1819.
Famoso pelo uso de temas místicos em seus trabalhos, a figura faz uma alusão à alquimia, processo que supostamente poderia envolver a química e a magia, a ciência e o misticismo, tema que serve de base para o roteiro do filme.
As letras de Dickinson nesse disco são todas relacionadas com temas de Blake sendo que o termo “Casamento Químico” teve origem no livro “O Casamento Químico dos Cristãos Rosacruzes” de 1459 e sua autoria é atribuida ao alemão Johann Valentin Andreae.
Quando o físico Matters traz sua maquina até a Inglaterra e baseando-se em noções da física quântica, como o princípio da incerteza de Heisenberg e usando analogias como o gato de Schrodinger ele está propondo exatamente essa idéia. Ainda mais quando um técnico do laboratório se revela um estudioso da obra de Crowley e “programa” a máquina para reproduzir as magias de Crowley no padrão binário.
Não entrando do mérito da questão da coerência das teorias científicas do filme, nem quanto aos rituais de magia descritos e executados em cenas de forte impacto visual, que foram entre alguns dos pontos mais criticados do filme, é sempre interessante ver temas como esses sendo explorados num filme sobre Crowley.
Sua relação com Jack Parsons, que poucos sabem, foi um ocultista ligado ao programa espacial da NASA e responsável pela fórmula final do combustível usado no foguete que levou o homem a lua, é mencionada no filme em detalhes recortes de jornal publicados na época.
O filme se esforça ao máximo na tentativa de traçar um retrato bastante fiel da personalidade de Crowley, ainda mais quando entram na difícil tarefa de representar um Crowley “renascido” 50 anos depois de sua morte.
Tarefa que o ótimo Simon Callow desempenha muito bem, sendo na minha opinião um dos pontos fortes do filme.
Quando “Crowley” assume o lugar de Haddo na palestra sobre William Sheakespeare e sua conseqüente comparação entre os personagens da peça Julio César com deuses do misticismo Egípcio, a postura irreverente e iconoclasta de Crowley é explorada na cena que faz jus a sua fama e tudo que sabemos dele.
Sua fama como inigualável enxadrista, poeta, libertino bi-sexual, sarcástico, sádico e determinado também são características fundamentais na construção do personagem.
Com relação a participação de Dickinson tanto como co-roteirista mas como autor da trilha, ele obviamente tomou a liberdade de inserir várias músicas dele e do Maiden em alguns momentos do filme.
“Can I play with madness” (Posso eu brincar com a loucura?) surge transmitida ao acaso numa estação de rádio numa das cenas do filme.
Durante uma aula de Haddo antes de ser “possuído” por Crowley, seu aluno Jones responde a uma pergunta com um frase do personagem de Marcus Aurélius na mesma peça de Sheakespeare, Júlio César: “The evil that men do lives on and on” (música do album “Seventh Son of a seventh son”). Para os que não sabiam de onde Bruce tinha tirado esse título, a menção da origem no filme elucida essa questão.
O olho de Hórus que aparece frequentemente na máquina de Matters é uma referência ao uso frequente desse símbolo em albuns do Maiden como “Powerslave” e mais particularmente no clip de “Two Minutes to Midnight” onde o mesmo símbolo apárece num monitor de computador.
“Wicker man” do album “Brave New World” aparece em outra cena encaixando o refrão com a indignação de Crowley com o conceito do tempo: (“Your TIME will come..”).
Conceitos como a teoria da relatividade de Einstein, viagens no tempo e universos paralelos são abordados no filme sem muita coesão mas mesmo assim alguns conceitos citados são bem interessantes.
Mas duas músicas do mesmo álbum “Chemical Wedding” são as que mais se encaixam na temática do filme. A música “Chemical Wedding” abre o filme, com uma ótima edição de artigos sobre Crowley em jornais da época, alguns com as famosas manchetes sensacionalistas, e “Man of Sorrows” onde Dickinson se refere explícitamente a Crowley na letra.
Taxado por muitos críticos como um “pobre remake dos filmes de horror thash Britânico dos anos 70″, mas Chemical Wedding na minha opinião merece muito mais crédito por revisitar fatos históricos numa linguagem atual e levantando temas que questionam a própia noção de realidade, ciência, sobrenatural e o papel do tempo como algo muitas vezes relativo.
Peço desculpas pela extensão do post mas é que realmente havia muito para se falar sobre esse filme.
Melhor cena: A demonstração de “Crowley” perante a banca dos professores do Trinity sobre os significados ocultos na Bíblia e a “brincadeira” com a disputa pela Casa Branca entre Al Gore e George W. Bush e os univesos paralelos em 2000.
Trailer:
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