
Danzig é a banda formada por Glenn Danzig, depois de suas experiências anteriores com bandas Punk como Misfits (que recentemente voltou a ativa sem ele) e Samhain, esta última mais tarde viria a se transformar no que é hoje o Danzig.
Apesar de ter sempre abusado das letras ocultistas, eróticas e satânicas a banda foi também responsável por uma imagem sempre relacionada com a temática dos filmes de horror, mais especificamente na época que Danzig pertencia ao Mistifits e ao Samhain quando os integrantes tocavam usando maquiagens de zumbis e caveiras e as referências aos filmes de terror eram uma freqüente. Na música “Monster Mash” o Misfits faz um tributo a animação “A Festa do Monstro Maluco”( Mad Monster Party ) onde um simpático boneco de Boris Karlof é dublado pelo próprio.
A capa do álbum Danzig III – How The Gods Kill, foi feita pelo conhecido artista gráfico HR.Giger, conhecido pela temática bizarra de seus trabalhos, entre os quais o Storyboard do primeiro “Alien, o oitavo passageiro”dirigido pelo mestre Ridley Scott.
Depois que a formação clássica dos primeiros albuns do Danzig se dissolveu, (Danzig/Christ/Von/Biscuits) eles haviam conquistando uma legião de fãs nos anos 90 com uma música focada num Metal/Blues com influências de The Doors e Black Sabbath. A banda retorna com outra formação no álbum “Blackacidevil” que por ter uma orientação mais para o rock industrial não agrada a maioria dos fãs.
Com esse último lançamento de 2010 “ Dethred Sabaoth”, o Danzig parece resgatar todo o espírito inicial da banda, mostrando a mesma garra e pegada Metal de seus primeiros álbuns.
Após a recente morte de Peter Steele, vocalista e baixista da banda Nova Iorquina Type O Negative, o Danzig conta hoje com o ex-Type O Negative Johnny Kelly nas baquetas, e o execelente guitarrista Tommy Victor (ex-Ministry, ex-Prong) que com certeza não decepcionará os antigos fãs de John Christ.
Faixa 1 “Hammer Of The Gods” (Martelo dos Deuses)
Faixa que abre com pesados riffs de guitarra, característicos dos velhos tempos da banda. Nada de sonoridade nova. Para mim parece um disco da fase “antiga” com os mesmos riffs de guitarra e a voz “Jim Morrison/Macabra”de Danzig. Os solos do novo guitarrista estão mais evidentes, o que deve ter deixado os fãs antigos muito falizes, pois são longos e percorrem várias partes da música.
Faixa 2 : “The Revengeful” ( O Vingativo )
Com uma pagada mais cadenciada que a primeira, lembrando músicas como “Devil´s Plaything” e “Black Mass” mais uma vez o guitarrista Tommy mostra a que veio. Preencher a falta de bons solos que os fãs vinham sentindo falta desde os discos mais experimentais de Danzig. A pegada Rock n Roll/Metal tão característica do grupo está de volta.
Faixa 3 : “Rebel Spirits” ( Espíritos rebeldes )
Uma música mais lenta e influenciada pelo lado mais blues da banda, apesar de extremamente pesada e de uma batida com bumbos duplos que não deixa a música tirar o pé do Metal por completo. Danzig impressiona pela potência de seus vocais como acabei de citar, apesar de sua idade, o tempo parece não haver modificado em nada sua voz. Tenho a nítida impressão de estar ouvindo uma música dos antigos álbuns.
A música encerra com um longo solo bem rock n roll e aquele final característico onde a música se encerra numa cacofonia lembrando um ensaio.
Faixa 4 : “Black Candy” (Doce escuro)
Outra bem mais lenta e bluesística da banda, lembrando a cadência erótica de “She rides” com uma letra também abordando a sensualidade feminina do ponto de vista mais macabro. “Doce escuro você é tão difícil de encontrar”.
Essa agradará os que gostam do lado mais blues/doom/rock n roll da banda.
Faixa 5 : “On A Wicked Night” (Numa noite perversa)
Com apenas um violão acústico e a voz de inconfundível de Danzig a música tem um início lembrando músicas como “Killing floor”, com um clima melancólico e lembrando levemente o Southern Rock, mas para logo perder esse clima com o peso habitual de guitarra, mais velocidade e solos que lembram as melhores músicas do rock n roll praticado no sul dos Estados Unidos.
Faixa 6 : “Dethred Moon” (Lua da morte vermelha)
Talvez a mais “comercial” do disco. Com um andamento levemente mais para o Hard Rock, a voz de Danzig ainda lembra algumas bandas dos 70. É definitivamene a mais Rock n Roll do disco ( repare nos solos).
Faixa 7 : “Ju Ju Bone” O Peso e o andamento habitual retorna e com um andamento cadenciado e Danzig fala mais uma vez de uma mulher a qual ele chama “carinhosamente” de Ju Ju Bone. Mais uma vez ótmos solos, extensos e versáteis em meio a todo riffs do final da música e Danzig soltando sua voz ao máximo.
Faixa 8 : “Night Star Hel” (Estrela Noturna do Inferno)
Com um riff de guitarra descaradamente “Sabático”, a “Estrela Noturna do Inferno” é a música mais Doom do disco. Lenta e absurdemente pesada ela termina com um riff também ao estilo do final de muitas músicas do Black sabbath, aumentando a velocidade apenas no insrumental como em Children of the Grave e outras. E como toda boa música de Doom Metal que se prese é a mais longa do disco com seus quase 7 minutos.
Faixa 9 : “Pyre of souls Incanticle” (Pira de almas)
Essa instrumental lembra mais o trabalho de Danzig no álbum “Black Aria” onde ele compôs um trabalho experimental utilizando-se de instrumentos como órgão, piano, címbalos e o resultado foi o que seria uma perfeita trilha sonora incidental para qualquer filme de terror, sendo esse o único álbum que leva o nome Danzig nada tem a ver com Rock.
Nessa “Pyre of souls Incanticle” O piano e a o coro macabro de Danzig dão o clima da música que por não ser tão muito longa não chega a quebrar o clima pesado do disco. Sempre para respirar e curtir o lado musical mais sombrio e mais erudito de Danzig.
Faixa 10: “Pyre Of Souls Seasons Of Pain” (Pira de almas Estação da dor)
O peso volta com toda força com um dos riffs mais Heavy Metal do disco, abusando do peso das palhetadas e da distorção. Mais lenta mas não menos pesada como tantas músicas da banda, os solos novamente permeiam todos os espaços da música.
Ums da melhores musicas do disco, boas viradas de batera, os solos sem comentários se extendendo por toda a música assim como os vocais de Danzig que parece ter sido congelado no tempo com um final magnificamente exacutado.
Faixa: 11 “Left hand Rose Above” (Mão esquerda ergueu-se acima)
A minha preferida do disco. Começando com um acorde acústico seguido da voz de Danzig como em “How the Gods Kill”, a música intercala o peso no refrão e a parte acústica nas estrofes, com uma cadência lenta como em tantas músicas deles, e eu seria injusto ou impreciso ao citar uma por serem tantas. Talvez “Cantspeak” do álbum “Danzig 4” mas essa fórmula se tornou característica da banda.
“A Mão esquerda ergueu-se acima” é a letra que resume a filosofia da maioria das músicas de Danzig. Além da ode ao triunfo do caminho da mão esquerda e todas as alegorias usadas por Glenn Danzig em suas letras, o apelo pelo triunfo da vontade em meio à adversidade é o impulso vital da filosofia de suas letras.
Apelando para os assim chamdos instintos menos “civilizados” e mais animais de nossa natureza e o horror e o macabro como um símbolo desses instintos.
Como diz a letra: “As you see, it´s a road on, if you´d like, you can come along, just make sure, that´s what you want, and your will is strong.” (Como você vê, a estrada está à frente, você pode vir junto, apenas tenha certeza de que é isso que você quer, e que o seu desejo é forte).
E uma banda como o Danzig voltar com tanta força depois de tantas dificuldades e mudanças de formação, com um álbum tão bom quanto esse é com certeza um símbolo desse triunfo.
Um grande álbum para todos os que gostam de música pesada e obscura e não tem medo de olhar para o absimo.
Por: Hércules F.