A Hora do Espanto (Fright Night) 1985

Crítica: Hoje falarei sobre um clássico de terror oitentista que já está sendo vítima de uma refilmagem hollywoodiana. Se trata de A Hora do Espanto, um filme que fez um tremendo sucesso de bilheteria e deixou A Hora do Pesadelo 2 engolir poeira.
A história é simples, Charley (William Ragsdale) é um adolescente que leva uma vida normal, mora com sua mãe e tem sua namorada (Amanda Bearse). Até que chegam novos vizinhos e o rapaz é o único que percebe que um deles, Jerry (Chris Sarandon), é vampiro. Ele busca ajuda do apresentador de seu programa preferido, Peter Vincent (Roddy McDowall), um ator em decadência que interpretava o maior matador de vampiros. Agora, Charley deve arrumar alguma maneira de matar o vampiro antes que ele acabe com a sua vida e a de seus amigos.
Com um clima de suspense que arrepiava até os adultos da época, o diretor Tom Holland (Brinquedo Assassino) foi o responsável por ressuscitar o gênero vampiresco numa geração onde os serial killers (Jason, Freddy, Michael Myers e cia) ocupavam os holofotes. Com humor negro inteligente e uma história simples, o cineasta ditou as regras básicas dos vampiros. Aqui o sanguessuga não pode andar à luz do dia, não possui reflexo, tem unhas grandes e precisa ser convidado para entrar. Porém uma das características mais marcantes é a de que sua aparência sedutora é apenas uma máscara para atrair suas vítimas, quando está totalmente tranformado se torna um monstro com voz distorcida (algo que o remake Deixe-me Entrar tentou ressuscitar atualmente).
Não espere encontrar símbolos sexuais em ascenção, uma das maiores sacadas do longa foi selecionar um elenco que combinasse exatamente com os personagens e soubessem interpretá-los da forma correta, isso levou a atores mais comuns que tiveram um desempenho melhor, dando mais naturalidade às perfomances. Destaque para a cena da discoteca, onde o vampiro hipnotiza a namorada de Charley e a tira para dançar, para nossa surpresa a mocinha se revela (abre o decote e tudo) e o casal se joga numa coreografia sensual ao som de rock eletrônico.
Os efeitos especiais estão lá, porém é na maquiagem que parece estar o maior foco, muito boa e criativa, vive quebrando o galho e homenageando os longas trashs que estavam na moda. O diretor faz questão de relembrar o estilo da Hammer (conhecida produtora de filmes de terror antigos) no programa que o adolescente assiste. Nosferatu também tem sua chance quando Jerry o imita ao sair de seu caixão. A trilha sonora tem a clássica batida das músicas dos anos 1980 ao som de uma guitarra, o que é pura nostalgia para quem foi adolescente nessa época. Para quem se lembra do filme na sessão da tarde, o DVD brasileiro vem com a excelente dublagem antiga, com aquelas vozes abafadas, que para alguns torna o filme mais querido.
Apesar de já terem se passado 26 anos, a história ainda empolga e o terror continua interessante. Tom Holland mais tarde nos presentearia com um boneco assassino enquanto os Garotos Perdidos (de Joel Schumacher) se preparavam para entrar em cena, pois já tinham a confirmação de que os vampiros haviam voltado à moda. Resta-nos torcer para que a nova versão da Dream Works também renove o gênero original e apresente um vampiro mal à nova geração, que já está se acostumando com o romantismo dos vampiros recentes.
Direção: Tom Holland.
Elenco: Chris Sarandon, William Ragsdale, Amanda Bearse, Roddy McDowall.
Trailer: