Vampiros (John Carpenter’s Vampires) 1998
Review: E quando achamos que o humor testosterona estava condenado apenas para os filmes de ação de Sylvester Stallone ou Jason Statham, eis que surge um exemplar misturando vampiros, faroeste, tiroteios e diálogos pós-cena infames. Se Padre (Priest, 2011) atraiu público ao cinema para ver um longa sobre exorcismo e vampiros no faroeste, é bom saber que antes dele já havia um ótimo representante no mercado: Vampiros de John Carpenter.
O que até hoje mais me impressiona é o fato de Vampiros aparentar uma produção despreocupada e simples porque, mesmo assim, ainda consegue entregar uma história gratificante para os fãs do terror. Apesar dos mais exigentes não admitirem o roteiro fácil, não dá para negar que uma trama sobre vampiros vilões ainda é bem vinda. Desde que os sanguessugas entraram em alta, Hollyhood concentra-se em mostrar o ponto de vista amigável deles. A maioria dos filmes de vampiro possui algum personagem bonzinho que, por alguma tragédia do destino, se transformou, e é justo este que irá lutar contra a sede da própria raça. É com grande orgulho que digo que este filme NÃO POSSUI VAMPIROS BONZINHOS. Valek não possui nenhum passado cheio de resentimentos e não tem remorso.
Os métodos usados pelos caçadores para matar os vampiros são muito criativos, rendendo belas cenas. O único ponto baixo é o fato dos vampiros ficarem muito semelhantes a zumbis, porque não possuem quase nada de inteligência, com excessão do líder, Valek. A trajetória de perseguição ao grupo de Valek é bem contada, rendendo cenas muito boas no deserto. Há uma cena que nunca esqueci desde a infância, quando os vampiros levantam-se da terra (eles não tinham onde dormir e se enterraram, nada de caixões luxuosos).
O vermelho e amarelo do dia e a fotografia azul da noite são muito importantes para dar o clima necessário nos locais desérticos, lembrando que aquilo está acontecendo longe dos olhos dos humanos. Isso é uma característica que aprecio muito nos roteiros de John Carpenter: o sigilo, afinal se há apenas poucos grupos de vampiros no mundo, não dá para se formar uma guerra. Com a quantidade de autoridades mundiais e suas armas, os sanguessugas já deveriam ser extintos, exceto se isso não ocorresse na “cara” do mundo. Os filmes de Carpenter, geralmente, narram acontecimentos isolados, assim torna mais coerente o risco dos vilões aniquilarem o pequeno grupo de humanos.
A trama, apesar de cair em diálogos canastrões de James Woods, não é de toda simples. Ainda está interligada à Igreja Católica e não se trata da descrença do perigo das criaturas e sim da sua culpa na existência delas. O próprio símbolo que os vampiros tanto procuram está extremamente associado à religião: uma cruz negra. Poucas vezes vemos um vampiro ciente de que seu avanço virá de algo divino. Notem a roupa de Valek e notarão que é semelhante a uma bata de padre.
A personagem da prostituta não dialoga demais, porém sua ênfase está nas reações. Pode-se dizer que a nomeação de Sheryl Lee a atriz secundária no Saturn Awards de 1999 foi merecida. Ela chora, treme, tem visões, mas sua interpretação não parece forçada. Ela guiará os caçadores a Valek, assim como Mina na perseguição por Drácula.
O desempenho do elenco é suficiente, destaque para Thomas Ian Griffith e James Woods, de fato a luta entre os dois não desaponta. Aatriz Sheryl Lee não tem muito o que fazer além de dormir e mostrar sua beleza. Apesar de ter um orçamento mais baixo que outros filmes, Vampiros não desaponta, além de não perde o fôlego em momento algum nem poupar sangue quanto necessário.
Direção: John Carpenter.
Elenco: James Woods, Thomas Ian Griffith, Sheryl Lee, Daniel Baldwin, Maximilian Schell, Tim Guinee, Mark Boone Junior, etc.
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